O hall de entrada do histórico prédio da Secretaria da Fazenda do Ceará (Sefaz-CE) voltou a ser iluminado por cores vivas. O vitral de seis metros de altura da sede do órgão fazendário, cuja grandeza impacta qualquer visitante, está novamente em seu local de origem, após dois meses de um minucioso trabalho de restauro, feito por alunos(as) da Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho (EAOTPS), equipamento da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), gerido pelo Instituto Dragão do Mar.
A solenidade de reinauguração, realizada nesta quarta (27), dia em que o vitral completou 92 anos de existência, foi marcada pela defesa da preservação da memória e do patrimônio cearense. Presentes no ato, os titulares da Secult e da Sefaz-CE, Fabiano Piúba e Fernanda Pacobahyba, respectivamente, enalteceram a importância da parceria entre as duas secretarias para que o vitral pudesse ser restaurado.
Em seu pronunciamento, Piúba defendeu o tombamento de outros edifícios históricos e ressaltou a sensibilidade da Sefaz em buscar preservar o seu conjunto arquitetônico: “é preciso fazer a defesa desse patrimônio em seu conjunto. A preservação desse prédio é possível porque há uma ocupação nobre aqui, feita pela gestão fiscal do nosso Estado. Enquanto a Sefaz estiver aqui, esse prédio vai estar preservado e vai ganhar um destaque na história do Ceará”.
A secretária Fernanda Pacobahyba destacou a importância da revitalização do vitral para a história do Estado. “Ele é um dos símbolos mais bonitos que nós temos. Ele é luz, é cor, é tudo que eu acredito que seja a nossa alma. Esta reinauguração é um momento sonhado, é um momento de agradecer a todos que tornaram isso possível”, comentou.
Estiveram presentes na solenidade os secretários executivos da Sefaz, Liana Machado, Sandra Machado e Fabrízio Gomes; os ex-secretários da Fazenda, José Maria Mendes, Frederico de Carvalho e Vladimir Spinelli; o professor e vice-presidente da Academia Cearense de Letras (ACL), Juarez Leitão; o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil, secção Ceará (IAB-CE), Antônio Custódio dos Santos Neto; a diretora do Cineteatro São Luiz, Rachel Gadelha; a diretora do Museu do Ceará, Carla Vieira; a coordenado da EAOTPS, Marley Uchoa; o artista visual e restaurador, Antônio Vieira, além de alunos da Escola e servidores fazendários.

SOBRE O RESTAURO
O processo de restauração foi dividido em quatro etapas. Na primeira, a equipe realizou a análise do estado de conservação da peça. Após isso, foi desenvolvido um mapa de danos. Já na terceira etapa, foram realizados procedimentos de higienização das peças e, posteriormente, foram executados os procedimentos metodológicos de recuperação ou substituição dos componentes do vitral. Todo o restauro foi acompanhado por uma equipe especializada, comandada pelo artista visual e restaurador Antônio Vieira, tendo a consultoria da Castel Vitrais, empresa de Ribeirão Preto (SP) que traz uma tradição de quatro gerações de vitralistas.
Joao Leite fez parte da equipe de 10 alunos(as) que se envolveram no trabalho e revelou a alegria de ajudar a entregar de volta à cidade o painel. “Foi um trabalho muito difícil, feito com muito boa vontade. A Escola de Artes e Ofícios formou uma equipe muito boa, que fez com que a gente pudesse trabalhar melhor. É uma honra e uma satisfação muito grande compreender a importância desse vitral para o patrimônio histórico do Estado”, ressaltou.
Antonio Vieira falou do desafio de coordenar o trabalho dos(as) alunos(as): “foi um desafio principalmente porque se trata de uma obra que é importante para a cidade. Esse vitral é uma evidência de um processo histórico que aconteceu no Estado. É muito importante trabalhar no sentido de preservação da nossa memória.”
O vitral da Sefaz foi mais um patrimônio público restaurado com participação de estudantes da Escola de Artes e Ofícios. Edificações históricas de Fortaleza, como o Palacete Thomaz Pompeu Sobrinho (sede da Escola), o Cineteatro São Luiz e o Sobrado Dr. José Lourenço, além de obras de artes importantes, como as esculturas do Museu São José do Ribamar e o acervo da artista plástica Sinhá D’Amora (1906-2002) são alguns exemplos de peças e equipamentos restaurados com apoio da EAOTPS. “Acredito que esse restauro foi mais uma etapa cumprida na missão da Escola de despertar uma maior consciência patrimonial entre jovens e na sociedade”, ressalta Marley Uchôa.

SOBRE O VITRAL
O vitral de 12 metros quadrados cumpre bem mais que uma função estética. O painel guarda vários elementos que simbolizam a história da economia do Ceará ao longo do tempo, como o café, o algodão e a ferrovia. Foi confeccionado pelo italiano Cesare Formenti e seu filho Gastão. Os dois artistas eram donos do Atelier Formenti, um renomado estúdio do início do século 20, localizado no Rio de Janeiro, responsável pela execução dos vitrais da Catedral Metropolitana de Vitória e do Palácio Tiradentes, sede do Legislativo fluminense. Essa é a segunda vez que o painel passa por restauração. Em 1997, na gestão do secretário da Fazenda Ednilton Soárez, o serviço foi realizado por uma empresa especializada, sob supervisão da Secult.

Texto: Paulo Marcelo Freitas (Ascom EAOTPS) com contribuição da Raquel Mourão (Ascom Sefaz-CE).
Crédito da foto: Paulo Marcelo Freitas
Legenda da foto: titulares da Secult e da Sefaz-CE, Fabiano Piúba e Fernanda Pacobahyba, respectivamente, com equipe e alunos(as) da EAOTPS

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